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“Nós por cá” passa a programa diário Janeiro 3, 2009

Posted by Manuel Pinto in 1.
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Diariamente… com os cidadãos

Por Rui Couceiro
Mestre em Ciências da Comunicação (ramo Informação e Jornalismo)

Foi emitido pela primeira vez em 17 de Janeiro de 2004 e é um caso sem paralelo na televisão portuguesa, no que diz respeito ao envolvimento dos cidadãos no jornalismo. Quase cinco anos depois, a 5 de Janeiro, a rubrica Nós por Cá (NPC), assinada na SIC por Conceição Lino, deixa o formato semanal e passa a programa diário.

“Nós por Cá… Votamos em si” é o slogan que, no último dia de 2008, apareceu em mupis espalhados pelas ruas do país. Até as cores da estação ajudaram à paródia política em ano de eleições e, se a expressão acima remete para o interesse pelo cidadão, há outra frase promocional que contém um apelo directo à participação: “Esteja atento, seja cidadão”. Nas emissões do próprio canal, anuncia-se “o novo programa das sete” e, claro, no blogue do Nós por Cá – também em fase de renovação – já se publicita o novo formato. A dois dias do arranque do programa toda a equipa passou a manhã de sábado no mercado de Benfica, em Lisboa, numa acção de campanha. A caravana dos carros da SIC partiu de Carnaxide em grande animação. Todos levavam autocolantes, bonés e bandeiras que distribuíram na presença de jornalistas e fotógrafos. “Tivemos um excelente recepção por parte das pessoas, que sabem que nós votamos realmente nelas”, disse Conceição Lino.
De acordo com a nossa investigação*, o NPC semanal recebia cerca de dez mil e-mails por ano. Era dessa forma que chegava o grosso da participação. O espaço era filho das novas tecnologias, reconhecidas facilitadoras da comunicação. Em 2007 e 2008, 90% dos casos recebidos chegaram por e-mail e, desses, 60% possuíam anexos (em maioria, documentos e fotografias captadas pelas pessoas – “cidadãos repórteres”). Relativamente a conteúdos, a maior parte dos casos (cerca de 60%) era de interesse colectivo e não individual.
Com estes dados, e de forma resumida, afirmámos que o NPC era um exemplo de jornalismo participativo. Jornalismo, porque editado por uma jornalista profissional, vinculada a códigos éticos e deontológicos; participativo, porque funcionava com o auxílio dos cidadãos, que colaboravam, grande parte das vezes, com vista a um propósito colectivo e com recurso às novas tecnologias. Distinguimo-lo do chamado jornalismo do cidadão, porque este último é feito (em blogues, por exemplo) por cidadãos que se substituem aos jornalistas em todo o processo de recolha, tratamento e difusão de informação. No caso do jornalismo participativo, isso não acontece; há apenas colaboração dos cidadãos na primeira fase.
O NPC, desde o início, esteve quase sempre à frente dos conteúdos emitidos, à mesma hora, nos canais da concorrência, de acordo com dados fornecidos pela SIC, no caso pelo Gabinete de Research e Análise de Audiências, com base em indicadores de audiometria da Marktest. Cinco anos depois, a estação resolve tentar potenciar um formato vencedor.
Conversámos com Conceição Lino e ficámos a saber que o novo NPC tem 45 minutos de duração e que é um programa «feito em tempo recorde». Tem um «formato 100% original, e made in Portugal, que é uma coisa rara nos dias que correm na TV portuguesa… disso podemos orgulhar-nos!».

Formato: aposta de Alcides Vieira

O NPC diário vai ser um programa diferente, menos concentrado na autora original e partilhado por mais jornalistas, até porque «não fazia sentido estar a multiplicar o NPC original por uma hora». Também por isso, vários espaços fixos vão compor o novo programa de informação – é assim que a estação o define –, que não pretende ser um noticiário. Todos os jornalistas membros da equipa contribuem de várias formas. Seja através de reportagens ou de directos. Há, no entanto, alguns espaços diferentes: uma participação especial de Mário Crespo, um espaço mais ligado ao ambiente, assinado por Carla Castelo, e um espaço próprio de Augusto Madureira.
Em estúdio, vão estar, regularmente, anónimos e figuras públicas (Medina Carreira e Ana Bola são os primeiros entrevistados).
Numa lógica cada vez mais comum de procura de sinergias, todos os dias é feita uma ligação ao Jornal da Noite, para dar destaque aos assuntos do dia.
Conceição Lino explica, a propósito do novo formato, que foi o próprio director de informação, Alcides Vieira, «que se aventurou» no projecto, «porque já andava com vontade de autonomizar o programa» e que o novo NPC «é um grande investimento da redacção da SIC».

Equipa: “versátil e criativa”

Para além de Augusto Madureira, Mário Crespo e Carla Castelo, fazem, ainda, parte da equipa fixa do programa: os jornalistas Joaquim Franco, Catarina Neves, Raquel Marinho, Joana Latino, Isabel Osório, Mariana Corrêa, Ana Martins, Marta Couto, Leonor Sacadura (estas três últimas também fazem produção); Conceição Andrade e Sandra Cadeireiro, na produção editorial; Guilherme Lima, Manuel Ferreira, Odacir Júnior e Roger Nicolau como repórteres de imagem exclusivos; Fernanda Alverca, a realizadora; Daniel Pires, responsável pela produção técnica; e Marta Silva, também na produção.
Augusto Madureira é, a par de Conceição Lino, coordenador, embora esta seja, ainda, a editora executiva e, claro está, apresentadora.
A constituição da equipa foi da responsabilidade dos dois coordenadores e do director de informação. Os vários membros foram escolhidos com base num critério que junta versatilidade e criatividade: «sem uma equipa assim, seria difícil encontrar uma linguagem própria e a marca deste programa de informação».

Jornalismo que chega às pessoas

Versáteis e criativos. São assim os elementos da equipa do NPC, explica Conceição Lino, «porque é uma exigência do programa, que tem um jornalismo menos formal, mais próximo das pessoas».
No fundo, o espírito é o mesmo, refere a jornalista: «a proximidade às pessoas, o sentido crítico, a vivacidade, a ética; somos jornalistas interessados nos portugueses!».

A participação dos cidadãos

O novo programa tem várias diferenças no que toca ao tipo de assuntos abordados. Há, no entanto, uma que se destaca. O NPC não vai abordar apenas as queixas dos cidadãos.
Conceição Lino esclarece que «o programa vai também ao encontro das pessoas» e que elas «podem até saltar para dentro da TV sem terem sido notícia, porque o que queremos é ouvir os cidadãos». De facto, o novo formato parece ser mais representativo do que somos “nós por cá”. O enfoque não é colocado somente nos problemas, mas também nas soluções. Sublinham-se «os bons e os maus exemplos». Apesar da procura dos casos – positivos ou negativos – das vidas das pessoas, apesar da busca das opiniões, apesar deste “trazer” dos cidadãos para o espaço mediático, o NPC continua a querer e a basear-se na participação voluntária dos telespectadores. A primeira emissão permitirá, certamente, uma avaliação mais rigorosa, mas a aposta no on-line já, de alguma forma, o reflecte. A editora executiva mostra-se entusiasmada a esse nível e adianta: «queremos ter uma presença on-line muito grande! Queremos que essa extraordinária ferramenta que é a Internet esteja em pleno representada no programa». Daí a já referida reformulação do blogue.
A SIC parece estar a reconhecer, recentemente, tanto ao nível da informação como da programação, o valor do contributo dos cidadãos, em geral, e dos seus telespectadores, em particular: para além do novo “Nós por Cá”, também os espaços “Tá a gravar” (este num outro contexto), na grelha da SIC, e “Eu Repórter”, no sítio on-line, se baseiam na participação.

* Tese de mestrado intitulada “Jornalismo e cidadãos em interacção: estudo de caso da rubrica Nós por Cá”, defendida, na Universidade do Minho, em Julho de 2008.

Comentários

1. “Nos por cá” diariamente na SIC « Jornalismo e Comunicação - Janeiro 3, 2009

[...] (NPC) e conversou com a apresentadora, dando-nos conta das suas observações no texto “Diariamente… com os cidadãos“, que publicamos no Blogue de Apoio. De acordo com a investigação feita por Rui Couceiro, [...]

2. Nós Por Cá « Jovem Jornalista - Janeiro 3, 2009

[...] Por Cá Publicado em 3 03UTC Janeiro 03UTC 2009 por md13 Hoje ao ler o artigo do Mestre Rui Couceiro, descobri que realmente há mais um programa em Portugal de Cidadão Repórter, ou seja onde cada [...]

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