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	<title>Jornalismo &#038; Comunicação - Apoio</title>
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	<pubDate>Sun, 27 Apr 2008 22:47:43 +0000</pubDate>
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	<language>pt</language>
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		<title>Cuidado com a informação</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Apr 2008 21:02:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manuel Pinto</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

		<category><![CDATA[Ética]]></category>

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		<description><![CDATA[As primeiras  imagens deste filme brasileiro com pouco mais de um minuto de duração  apresentam um conjunto reduzido de pontos pretos de diferentes tamanhos.  Uma voz off inicia uma pequena narração: “Este homem pegou  uma nação destruída, recuperou sua economia e devolveu o orgulho  a seu povo”.
Muito lentamente, os pontos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>As primeiras  imagens deste filme brasileiro com pouco mais de um minuto de duração  apresentam um conjunto reduzido de pontos pretos de diferentes tamanhos.  Uma voz <em>off</em> inicia uma pequena narração: “Este homem pegou  uma nação destruída, recuperou sua economia e devolveu o orgulho  a seu povo”.</p>
<p>Muito lentamente, os pontos  pretos vão-se reduzindo e multiplicando. A voz continua a narrar: “Em  seus quatro primeiros anos de governo, o número de desempregados caiu  de seis milhões para novecentas mil pessoas”.</p>
<p>Os feitos desta figura política,  cuja identidade por enquanto se ignora, continuam a ser enaltecidos:  “Este homem fez o produto interno bruto crescer 102% e a renda <em> per capita</em> dobrar. Aumentou os lucros das empresas de 175 milhões  para 5 bilhões de marcos. E reduziu uma hiper-inflação a no máximo  25% ao ano”. </p>
<p>Além de ser capaz de promover  – e com que extraordinários resultados&#8230; – a recuperação económica  de um país, o protagonista parece ser um esteta a julgar pelo que,  seguidamente, se afirma: “Este homem adorava música e pintura, e,  quando jovem, imaginava seguir a carreira artística”.</p>
<p>Aqui chegados, a redução  e a multiplicação dos pontos pretos acelera-se para formar um retrato  a preto e branco que permite identificar tão extraordinária personagem.  Trata-se, afinal, de um dos mais temíveis criminosos do século XX:  Adolf Hitler.</p>
<p>A apresentação da imagem  de tão sinistra figura histórica, depois de terem sido feitos tantos  encómios à sua actividade política, dita uma conclusão: “É possível  contar um monte de mentiras, dizendo só a verdade”; e uma recomendação:  “Por isso, é preciso tomar muito cuidado com a informação e o jornal  que você recebe”.</p>
<p>O filme termina mostrando o  título de um jornal e enunciando uma espécie de slogan: “<em>Folha  de São Paulo</em>, o jornal que mais se compra e o que nunca se vende”.  Realizado em 1987, este brevíssimo filme, que pode ser visto no YouTube  (<a href="http://br.youtube.com/watch?v=6t0SK9qPK8M&amp;NR=1" target="_blank">http://br.youtube.com/watch?v=6t0SK9qPK8M&amp;NR=1</a>), é inesquecível.</p>
<p>É, de facto, difícil explicar  tão eloquentemente por que é que mostrar apenas uma parcela da realidade  pode muito bem ser uma forma de mentira. Para não se ser ludibriado  por ela, torna-se necessário, como diz o anúncio, ter muito cuidado  com a informação que se recebe. Tarefa difícil, evidentemente.</p>
<p>É que “há centenas de formas  de manipular notícias na imprensa. E outras centenas na rádio e na  televisão. E sem dizer mentiras”, afirmou Ryszard Kapuscinski, durante  um diálogo com os participantes num congresso realizado em Itália  há alguns anos, transcrito em <em>Os cínicos não servem para este  ofício. Conversas sobre o bom jornalismo</em>, um magnífico livro,  de leitura muito acessível, acabado de editar pela Relógio d’Água.</p>
<p>A conversa permite que este  jornalista exemplar dê conta dos tipos de manipulação a que o jornalismo  está hoje sujeito. Um deles não obriga a mentir. Os meios de comunicação  social, e particularmente os que mais influenciam um vasto número de  pessoas, “podem limitar-se a não reflectir a verdade. O sistema é  muito simples: omitir o assunto”.</p>
<p>Ryszard Kapuscinski observa  que “a maior parte dos espectadores da televisão recebem de modo  muito passivo o que lhes é dado. Os patrões das cadeias televisivas  decidem por eles o que devem pensar. Determinam a lista de coisas em  que se deve pensar e o que se deve pensar sobre elas”. Além disso,  prossegue o jornalista, não se pode esperar que o telespectador médio  realize estudos independentes sobre a situação do mundo. “O homem  médio, que trabalha, regressa a casa cansado e quer simplesmente estar  um pouco com a família, só recebe o que chega até ele naqueles cinco  minutos de telejornal. Os assuntos principais que dão vida às ‘notícias  do dia’ decidem o que pensamos e o modo como o pensamos”.</p>
<p>Este procedimento, como inúmeros  estudiosos dos <em>media</em> constantemente sublinham, constitui “uma  arma fundamental na construção da opinião pública. Se não falarmos  de um acontecimento, este simplesmente não existe. Com efeito, para  a maior parte das pessoas, ‘as notícias do dia’ são a única forma  de conhecer alguma coisa do mundo”.</p>
<p>Várias são as consequências,  mais ou menos perniciosas, que daqui decorrem. Ryszard Kapuscinski sublinha  um dos aspectos mais danosos: “O problema das televisões e dos meios  de comunicação em geral é que são tão grandes, influentes e importantes  que começaram a criar um mundo só deles”. E este mundo, como nota  o jornalista, tem muito pouco a ver com a realidade. “De resto, esses  meios de comunicação não estão interessados em reflectir a realidade  do mundo, mas em competir entre si. Uma estação televisiva, ou um  jornal, não pode permitir-se não ter a notícia que o seu concorrente  directo tem. De modo que acabam por observar os seus concorrentes em  vez de observar a vida real”. Nesta constatação crítica, há também  uma proposta: é necessário observar a vida real, valorizando uma agenda  informativa menos dependente dos <em>money-maker</em> e menos focada em  factos e em personagens insignificantes; uma agenda informativa que  seja útil para a efectiva melhoria da vida das pessoas.</p>
<p>Eduardo Jorge Madureira Lopes<br />
Coluna &#8220;Os dias da semana&#8221;<br />
in Diário do Minho, 27 de Abril de 2008</p>
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		<title>Tese sobre webradio</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Mar 2008 23:40:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manuel Pinto</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Internet]]></category>

		<category><![CDATA[Rádio]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Webradio: novos gêneros, novas formas de interação&#8221;
Nair Prata 
RESUMO
As transformações tecnológicas têm alterado profundamente a história do rádio. Além dos sucessivos avanços, duas rupturas, do ponto de vista da linguagem, marcam a história da radiofonia, justamente por causa da tecnologia. A primeira ruptura foi com o advento da TV; a segunda acontece agora, com a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#8220;Webradio: novos gêneros, novas formas de interação&#8221;</p>
<p>Nair Prata </p>
<p>RESUMO</p>
<p>As transformações tecnológicas têm alterado profundamente a história do rádio. Além dos sucessivos avanços, duas rupturas, do ponto de vista da linguagem, marcam a história da radiofonia, justamente por causa da tecnologia. A primeira ruptura foi com o advento da TV; a segunda acontece agora, com a webradio, que aponta para um novo modelo de radiofonia. Este processo de evolução, que chamamos de radiomorfose, altera e reconfigura os gêneros e as formas de interação presentes no rádio.</p>
<p>O objetivo desta tese é conhecer os novos gêneros e as novas formas de interação na webradio. Para se chegar a esse fim, foi realizada pesquisa qualitativa, com corpus delimitado a 30 emissoras de rádio agrupadas em três grandes grupos (hertzianas, hertzianas com presença na internet e webradios). Em cada grupo, foram estudadas as duas categorias de análise desta tese: gênero e interação. Como parte do estudo da interação nas webradios, foi feito</p>
<p>ainda um levantamento sobre a usabilidade das homepages.</p>
<p>A partir do referencial teórico e pela pesquisa realizada, concluímos que os novos gêneros da webradio são o chat, o e-mail (mensagem eletrônica), o endereço eletrônico, a enquete e o fórum, nascidos genuinamente em meio digital. Mas também são novos, no suporte internet, os tradicionais gêneros radiofônicos hertzianos. Tratam-se de formas híbridas, nascidas da complexa tessitura digital da webradio. A webradio pode ser entendida como uma constelação de gêneros que abriga formatos antigos, novos e híbridos.</p>
<p>Como as novas formas de interação na webradio, podemos elencar o chat, o fórum, a enquete e o e-mail (correio eletrônico). Mas como a web é um ambiente heterogêneo, que permite mais manipulação que o rádio hertziano, as webradios disponibilizam a seus usuários várias ferramentas interativas com o objetivo de atrair e fidelizar o seu público. A principal delas, com certeza, é o próprio site, constitutivamente polifônico, marcado por vozes não apenas sonoras, como no rádio hertziano, mas também estruturalmente formado por textos e imagens.</p>
<p>Palavras-chave: webradio, gêneros, interação, linguagem, tecnologia</p>
<p>ABSTRACT</p>
<p>Technological transformations have profoundly altered the history of the radio. Apart from the consecutive progress, two ruptures from the point of view of language have marked the history of radiophony, precisely because of technology. The first rupture happened with the onset of TV; the second is in progress now, with webradios, which points to a new model of radiophony. This process of evolution, which we call radio morphosis, alters and reshapes the genres and forms of interaction present on the radio.</p>
<p>The aim of this thesis is to understand the new genres and the new forms of interaction on webradios. To do this, a qualitative research was performed, with a corpus restricted to 30 broadcasting stations, classified in three large groups (hertzian, hertzian with presence on internet, and webradios). In each group, the two categories of analysis of this thesis were studied: genre and interaction. As part of the study into interaction on webradios, a survey about usability of homepages was also done.</p>
<p>Based on theoretical reference and the research performed, we concluded that the new genres of webradios are chats, e-mails (electronic messages), electronic addresses, surveys, and forums, all genuinely originated from digital media. But the traditional hertzian radiophony genres in internet environments are also new. They deal with hybrid forms, born from the complex digital structure of webradios. The webradio can be understood as a constellation of genres, which shelter old, new, and hybrid formats.</p>
<p>As new forms of interaction on webradios, we can list chats, forums, surveys, and e-mails (electronic mail). But as the web is a heterogeneous environment, which allows more manipulation than the hertzian radio, webradios make available various interactive tools to their users with the objective of attracting and inducing the loyalty of their public.  The main one, is certainly the site itself, determinatively polyphonic, marked by voices not only producing sound, as on the hertzian radio, but also structurally formed by texts and images.</p>
<p>Key-words: webradio, genres, interaction, language, technology</p>
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		<title>A TVI, a SIC e as recomendações da ERC</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Mar 2008 13:52:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felisbela Lopes</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Regulação]]></category>

		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Os canais generalistas privados têm hoje uma programação nocturna essencialmente de entretenimento. O que, de certa forma, não vai ao encontro da Lei de Televisão e, sobretudo, de duas deliberações da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC): uma de Junho de 2006 e outra de Dezembro de 2007. Esses documentos falam de um horário [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Os canais generalistas privados têm hoje uma programação nocturna essencialmente de entretenimento. O que, de certa forma, não vai ao encontro da Lei de Televisão e, sobretudo, de duas deliberações da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC): uma de Junho de 2006 e outra de Dezembro de 2007. Esses documentos falam de um horário nobre com oferta televisiva diversificada onde se deveriam integrar programas de debate e de entrevista autónomos dos noticiários das 20h00. Até agora, essas recomendações estão por cumprir. Beneficiando de uma conjuntura de alguma conturbação por que passava a instância reguladora dos media (no início de 2006, a Alta Autoridade para a Comunicação Social dá lugar à Entidade Reguladora para a Comunicação Social, com outras competência e diferentes membros), os canais generalistas privados vêem as suas licenças de TV renovadas em Junho de 2006, sem passarem por aprofundados estudos que salientassem aquilo que foram os seus primeiros quinze anos de actividade. Mesmo assim, a ERC, juntamente com essa renovação (praticamente administrativa), produz uma deliberação (1-L/2006 com a data de 20 de Junho) que fixa algumas linhas de programação para a SIC e para a TVI. Uma espécie de caderno de encargos. Por exemplo, “emitir um mínimo de três blocos noticiosos diários; emitir programas de informação dos subgéneros debate e entrevista, autónomos em relação aos blocos noticiosos diários, com periodicidade não inferior a semanal; diversificar os géneros da programação emitida no chamado horário nobre (20h00-23h00)”. Os canais privados consideraram essas orientações abusivas. A TVI recorreu, nesse tempo, para os tribunais. Sem, no entanto, conseguir introduzir modificações de fundo na deliberação em causa.<br />
Antes de 2007 terminar, a ERC produziu um outro documento deliberativo dirigido à TVI, reafirmando grande parte daquilo que havia determinado em Junho de 2006, obrigando aquela estação privada, por exemplo, a diversificar a oferta televisiva em horário nocturno (20h-23h) e a emitir programas de debate e de grande entrevista, autónomos do “Jornal Nacional”. Isto está ainda por cumprir, embora a TVI tenha já anunciado novidades na informação. Será este, decerto, um assunto incómodo para a TV privada.<br />
A 9 de Novembro de Administração da TVI, invocando “o direito de resposta”, publicou no jornal “Público” um artigo (sem assinatura personalizada) em que procurava desmentir dados da minha tese de doutoramento (aprovada por unanimidade) e de um posterior estudo académico sobre programação televisiva de minha autoria. Nesse texto, a TVI afirmava que a sua oferta televisiva em horário nobre “abrange diversos géneros tais como a informação regular, as grandes reportagens, a ficção nacional, o humor e o entretenimento”. Para além de confundir o que constitui um género televisivo, o texto passa ao lado do essencial: o nosso último estudo, citado pelo “Público”, aludia à falta de programas de debate e de grande-entrevista, em horário nobre, na grelha de 2006. Que, ainda hoje, não originaram formatos regulares e autónomos dos noticiários da noite das estações privadas. A Administração da TVI garantia ainda haver desconhecimento de que “em Março de 1999, a  TVI apresentou um projecto de alterações ao seu projecto inicial, o qual foi homologado pela Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) em 26 de Maio de 1999”. Nem eu ignorava esse dado (apresentado no meu livro “A TV das Elites”), nem decerto ficará bem à TVI omitir que a ERC lhe renovou, em 2006, a licença de TV mediante críticas ao “desaparecimento de programas de entrevista e de debate”, ao “desaparecimento da programação infantil nos dias úteis”, à “praticamente inexistente” programação cultural, etc.<br />
Apesar de (ainda) longe das recomendações da entidade reguladora, os canais generalistas privados terão de alterar a oferta televisiva em horário nobre. As deliberações da ERC (1-L/2006, de 20 de Junho; e 2/Lic-TV/2007, de 20 de Dezembro) impedem-nos de programar, diariamente, apenas ficção após o noticiário das 20h00 e até bem perto da meia-noite. É claro que SIC e TVI poderão colocar em antena uma informação-espectáculo, impulsionadora do “voyeurismo” e não muito distante das “novelas da vida real” que até então inundaram as grelhas. É claro que a SIC e a TVI poderão encher os “plateaux” informativos com uma confraria de convidados que se tem perpetuado no poder (sobretudo político) na exacta medida em que garante lugar cativo nos estúdios de televisão (e vice-versa). Não será isso, talvez, que mais agradará aos jornalistas dos canais de TV, nem será isso que mais favorecerá o espaço público por onde todos nós andamos. Como o passado recente comprovou, informação de interesse público poderá não ser sinónimo de audiências residuais. Beneficiaríamos todos com projectos de qualidade informativa. Nos diferentes géneros de informação televisiva.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Contrato de concessão do serviço público de TV</title>
		<link>http://mediascopio2.wordpress.com/2007/11/19/contrato-de-concessao-do-servico-publico-de-tv/</link>
		<comments>http://mediascopio2.wordpress.com/2007/11/19/contrato-de-concessao-do-servico-publico-de-tv/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 Nov 2007 12:15:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manuel Pinto</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Participação]]></category>

		<category><![CDATA[Regulação]]></category>

		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Parecer do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho sobre o projecto de contrato de concessão do serviço público de televisão
O Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho desenvolve, há vários anos, no âmbito do seu projecto de investigação Mediascópio, o estudo do Serviço Público de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="margin-top:6pt;text-align:center;" align="center"><strong><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">Parecer do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho sobre o projecto de contrato de concessão do serviço público de televisão</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-top:6pt;text-align:justify;"><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">O Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho desenvolve, há vários anos, no âmbito do seu projecto de investigação Mediascópio, o estudo do Serviço Público de Televisão (SPT). No âmbito das suas actividades tem dado particular atenção a duas das vertentes consideradas sensíveis e, ao mesmo tempo, reveladoras do SPT: a programação informativa e a programação para a infância. Abarcando o conjunto do problema em apreço desenvolveu, com o contributo de vários dos seus investigadores, um estudo sobre o debate que em torno da RTP se travou, a propósito dos planos do XV Governo, na Primavera de 2002 e tem actualmente em curso vários projectos que directa e indirectamente lidam com o serviço público.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-top:6pt;text-align:justify;"><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">Na sequência da aprovação e publicação da Lei da Televisão (Lei nº 27/2007, de 30 de Julho), o Governo entendeu colocar em consulta pública o contrato de concessão do Serviço Público de Televisão. Esta auscultação dos cidadãos e das entidades interessadas configura um modo de proceder que nos parece salutar e que desejamos saudar.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-top:6pt;text-align:justify;"><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">O contributo que pretendemos dar, no quadro desta consulta, resultou de uma reunião em que participaram investigadores e doutorandos ligados ao CECS e envolve três vertentes: aspectos gerais; aspectos relacionados com o serviço de programas dirigidos aos públicos infanto-juvenis; disposições relativas à informação.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-top:6pt;text-align:justify;"><strong><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">1. Aspectos gerais do projecto de contrato</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:-21.75pt;margin:6pt 0 0.0001pt 21.75pt;"><!--[if !supportLists]--><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"><span>1.1.<span style="font-family:'Times New Roman';font-style:normal;font-variant:normal;font-weight:normal;font-size:7pt;line-height:normal;">   </span></span></span><!--[endif]--><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">Comparativamente com o contrato em vigor, o projecto apresenta um número claramente superior de cláusulas e revela uma preocupação regulamentadora que, pontualmente, chega a ser excessiva em algumas matérias, ainda que excessivamente concisa noutras. Ao mesmo tempo, estabelece um caderno de encargos muito mais claro, com a definição de parâmetros e mecanismos de avaliação, que tornam o processo de <em>accountability</em> mais transparente, por parte de todos os actores com responsabilidades directas e indirectas neste processo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:-21.75pt;margin:6pt 0 0.0001pt 21.75pt;"><!--[if !supportLists]--><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"><span>1.2.<span style="font-family:'Times New Roman';font-style:normal;font-variant:normal;font-weight:normal;font-size:7pt;line-height:normal;">   </span></span></span><!--[endif]--><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">Partilhamos dos valores que informam o clausulado, como sejam os de participação e promoção da cidadania, bem como a formação de “</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">públicos exigentes, motivados e intervenientes”. Mas é importante assinalar que o documento é conservador no que diz respeito às modalidades de participação e envolvimento dos cidadãos no SPT (que directa e indirectamente pagam). É certo que a figura do Provedor do Telespectador institui um mecanismo de envolvimento e de ligação; é igualmente certo que se procura dar continuidade à participação de organizações da sociedade civil, nomeadamente na RTP2; é ainda verdade que existe o Conselho de Opinião (uma designação manifestamente infeliz). Mas teria sido desejável que, designadamente através deste Conselho de Opinião, se tivessem encontrado (provavelmente já em sede de elaboração da Lei de Televisão) formas eficazes de auscultação, participação e corresponsabilização dos cidadãos no seu serviço público. Neste estado de coisas, que o actual projecto não altera, a RTP mantém-se como uma entidade distante dos cidadãos. Ora os valores de cidadania que o documento diz defender não se promovem sem combater o desfasamento, se não mesmo a suspeita, dos cidadãos face à RTP. Seria também por aqui que o SPT poderia fazer a diferença relativamente aos operadores privados.</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:-21.75pt;margin:6pt 0 0.0001pt 21.75pt;"><!--[if !supportLists]--><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"><span>1.3.<span style="font-family:'Times New Roman';font-style:normal;font-variant:normal;font-weight:normal;font-size:7pt;line-height:normal;">   </span></span></span><!--[endif]--><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">Entendemos que o projecto de contrato de concessão se revela altamente insatisfatório no que diz respeito aos cenários de desenvolvimento das plataformas digitais e dos novos serviços de distribuição. Até aquilo que o operador tem vindo a desenvolver neste terreno, nos últimos anos, parece arredado do caderno de encargos agora definido. O documento convoca no seu preâmbulo a</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"> Recomendação do Conselho da Europa [Rec (2003) 9], que reconhece que “o serviço público de radiodifusão deve</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"> </span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">assumir um papel central no processo de transição para a televisão digital terrestre, utilizando</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"> </span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">meios que lhe permitam cumprir a sua missão em ambiente digital, que “podem incluir o</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"> </span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">fornecimento de novos serviços de programas especializados, por exemplo no campo da</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"> </span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">informação, educação e cultura, e de novos serviços interactivos, como Guias Electrónicos de Programas ou serviços on-line complementares”;</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"> cita </span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">o mesmo texto que refere que “devem ser criadas as condições legais, técnicas e</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"> </span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">económicas para que o serviço público de radiodifusão possa estar presente nas diversas</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"> </span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">plataformas digitais (cabo, satélite, terrestre) com programas e serviços diversificados para todos</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"> </span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">os sectores da população, funcionando como um factor de coesão nacional, sobretudo tendo em</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"> </span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">conta o risco da fragmentação das audiências resultante da pulverização da oferta televisiva”. De tudo isto praticamente nada transparece no caderno de encargos da Concessionária, pelo que bem se pode dizer que é mais substancial o preâmbulo do que o clausulado.</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:-21.75pt;margin:6pt 0 0.0001pt 21.75pt;"><!--[if !supportLists]--><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"><span>1.4.<span style="font-family:'Times New Roman';font-style:normal;font-variant:normal;font-weight:normal;font-size:7pt;line-height:normal;">   </span></span></span><!--[endif]--><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">Um ponto de natureza diferente: não se compreende a preocupação do clausulado de definir, para o caso do Provedor do telespectador, a faixa horária em que deve ser emitido o respectivo programa e o mesmo não acontecer para outro tipo de programas. Estabelecem os Estatutos da RTP que o programa do Provedor deve ser emitido “em horário adequado”. Procurou-se, no contrato de concessão, reduzir a margem de interpretação que o operador público pudesse dar a essa norma. Mas porquê, então, apenas neste caso e não também, por exemplo, relativamente aos debates, às grandes entrevistas, aos documentários?</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-top:6pt;text-align:justify;"><strong><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">2.</span></strong><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"> <strong>A programação infanto-juvenil na Proposta de Contrato de Concessão de SPTV</strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-top:6pt;text-align:justify;text-indent:-0.1pt;"><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">Relativamente ao anterior contrato, o projecto em consulta mantém como obrigação da concessionária garantir a produção e transmissão de programas educativos e de entretenimento destinados ao público jovem e infantil. <span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:-24.1pt;margin:6pt 0 0.0001pt 24.1pt;"><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">2.1. Atendendo ao facto de, na Lei da TV, os canais privados não estarem obrigados a emitir programação específica para este público, e atendendo a que a TV continua a ter uma presença importante e significativa na vida das crianças, considera-se que o contrato de concessão de SPT deveria ser mais específico e mais exigente no que diz respeito à emissão desta programação por parte da concessionária. Afinal, atendendo ao cenário cria</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">do pela legislação, não se pode descartar a possibilidade de esta poder vir a ser o único operador de sinal aberto em que as crianças encontrem programação específica para elas.</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:-24.1pt;margin:6pt 0 0.0001pt 24.1pt;"><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">2.2. </span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">A grande novidade do projecto é o cenário de lançamento de um canal para o público infantil e juvenil, que procure satisfazer as suas necessidades educativas e formativas, embora se trate apenas de uma possibilidade que surge lado a lado com o lançamento de um canal destinado a promover o acesso ao conhecimento. Um problema que aqui se vislumbra e que pode comprometer o surgimento do referido serviço de programas decorre da previsível impossibilidade de os custos deste canal, que se pretende de qualidade, se inscreverem no quadro geral de financiamento estipulado no contrato. É que os programas para crianças que não sigam o circuito comercial têm, naturalmente, custos mais elevados. Ora, se se pretende um canal com uma programação diversificada, com programas de diferentes géneros e formatos e que atenda às diferentes faixas etárias que constituem o público infanto-juvenil, parece-nos difícil fazê-lo no cenário do orçamento previsto.</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:-24.1pt;margin:6pt 0 0.0001pt 24.1pt;"><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">2.</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">3. A programação infanto-juvenil deixa de ser emitida no primeiro canal o que, mesmo considerando as alternativas colocadas, não deixa de ser uma perda. Para além da possibilidade (incerta) de criação do novo canal, esta programação passa a ser emitida apenas no segundo. Ora aqui convém sublinhar que, salvo melhor opinião, o projecto de contrato é ambíguo no que diz respeito ao segundo canal, uma vez que não clarifica se ele manterá a emissão de programação para a infância caso o novo canal venha a ser criado. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:-24.1pt;margin:6pt 0 0.0001pt 24.1pt;"><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">2.</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">4. Acresce que as orientações e responsabilidades definidas neste âmbito para o segundo canal são escassas. Daí que se considere importante que algumas das exigências definidas para o novo canal sejam também assumidas como missão do segundo canal. Uma delas diz respeito à definição das diferentes faixas etárias – dos 3 aos 6 anos, dos 6 aos 10 e dos 10 aos 16 anos – que constituem o público infanto-juvenil. Refira-se que os contratos anteriores eram omissos neste aspecto, considerando-se importante esta explicitação, uma vez que será possível avaliar mais objectivamente se a programação contempla esta diversidade de segmentos. Convém ter presente que a tendência, que se tem verificado na análise da oferta, é valorizar um destes segmentos em detrimento dos outros. </span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:-24pt;margin:6pt 0 0.0001pt 24pt;"><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">2.5. </span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">Um outro aspecto que também não aparece contemplado no segundo canal é a indicação do horário de difusão da programação que, ao contrário do estabelecido para o canal a criar, não refere a necessidade de ter em conta o horário escolar. Neste aspecto, parece-nos que o projecto de contrato poderia ter indicações mais precisas em relação aos segmentos horários em que deve ser emitida esta programação, com indicação precisa de emissão no período da manhã e no período de fim de tarde. Trata-se de dar tradução à alínea b) do ponto 2 da cláusula 7ª, que estabelece que a avaliação das condições mínimas de prestação do serviço por parte da concessionária deve ter em conta “a adequação do horário de emissão dos conteúdos emitidos aos públicos a que, na perspectiva do serviço público, desejavelmente se destinam”. Vários estudos realizados nesta área mostram que o ‘horário nobre’ para as crianças é o período de fim de tarde pois é o tempo em que regressam a casa, em que têm mais disponibilidade e predisposição para ver televisão e em que estão mais descontraídas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:-24.1pt;margin:6pt 0 0.0001pt 24.1pt;"><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">2.6. Em contrapartida, um ponto</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"> de grande importância que deveria aparecer com outra ênfase no contrato e que, curiosamente, surge apenas referido como obrigação para o segundo canal e não para o novo, é a existência de espaços regulares de informação dirigidos ao público infanto-juvenil (Cláusula 9º, artigo 11º, alínea b). Seguindo alguma tradição neste domínio, a informação deveria voltar a ser uma aposta do serviço público de TV para crianças. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:-24.1pt;margin:6pt 0 0.0001pt 24.1pt;"><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">2.7. </span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">Para o novo canal é definido como objectivo a promoção da cultura e da língua portuguesas, aspecto que, como referimos anteriormente, seria um dos que também deveria integrar as obrigações para o segundo canal (uma vez que o texto obriga apenas a fazer estudos para o lançamento de um novo canal, mas condiciona a sua implementação à existência de condições financeiras). Além disso, seria importante que este item estivesse associado à produção nacional de programas para o público infantil e juvenil. Estes seriam um importante meio para promover a cultura e a língua portuguesas, podendo ir mais directamente ao encontro não só dos interesses mas também das necessidades das crianças de nacionalidade portuguesa. Isto não significaria, de forma alguma, fechar a televisão a programas de circulação internacional; significaria antes expressar a importância de produzir e emitir programas de origem nacional, aproveitando e potenciando todo o ‘know how’ que a TV pública foi desenvolvendo nesta área em programas como o ‘Rua Sésamo’, o ‘Jardim da Celeste’ e, mais recentemente, a ‘Ilhas das Cores’. </span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:-24.1pt;margin:6pt 0 0.0001pt 24.1pt;"><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">2.8. </span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">Um aspecto digno de registo é a inclusão da educação para os media neste projecto, nomeadamente, no que diz respeito à emissão para o público infanto-juvenil, a indicação deixada para a emissão de programas que fomentem a capacidade de reflexão e o sentido crítico dos mais jovens.</span><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-top:6pt;text-align:justify;"><strong><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">3. Aspectos relativos à informação</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-top:6pt;text-align:justify;"><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">De um modo geral, o desenho e definição das obrigações fixadas à actividade da concessionária do serviço público de televisão no que à informação diz respeito merece uma concordância, em termos gerais. Anotam-se, nomeadamente, alguns aspectos relevantes:</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:-18pt;margin:6pt 0 0.0001pt 18pt;"><!--[if !supportLists]--><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"><span>3.1<span style="font-family:'Times New Roman';font-style:normal;font-variant:normal;font-weight:normal;font-size:7pt;line-height:normal;">  </span></span></span><!--[endif]--><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"><span> </span>Várias disposições conjugadas no projecto apontam para uma redução da hegemonia dos actores políticos nos debates televisivos;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:-18pt;margin:6pt 0 0.0001pt 18pt;"><!--[if !supportLists]--><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"><span>3.2<span style="font-family:'Times New Roman';font-style:normal;font-variant:normal;font-weight:normal;font-size:7pt;line-height:normal;">  </span></span></span><!--[endif]--><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"><span> </span>Estabelece, outrossim, que o programa de grande entrevista deve ter uma maior diversidade de convidados;</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:-18pt;margin:6pt 0 0.0001pt 18pt;"><!--[if !supportLists]--><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"><span>3.3<span style="font-family:'Times New Roman';font-style:normal;font-variant:normal;font-weight:normal;font-size:7pt;line-height:normal;">  </span></span></span><!--[endif]--><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"><span> </span>Promove, através da RTPN, a expressão das perspectivas e vozes das regiões e das realidades locais, dando espaço a individualidades que actuam em âmbitos diversos dos da capital do país.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-top:6pt;text-align:justify;"><strong><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">Nota final</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-top:6pt;text-align:justify;"><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">Não seria em sede de contrato de concessão que se justificaria suscitar o debate sobre o próprio conceito de SPT e sobre os desafios que ele enfrenta hoje e continuará a enfrentar no futuro. Ainda assim, parece-nos pertinente recordar que há uma dimensão de serviço público que deve ser exigida, assumida e reconhecida não apenas no operador concessionário do SPT, mas em todos os operadores e nomeadamente naqueles que operam em regime de acesso não condicionado.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-top:6pt;text-align:justify;"><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">Este reconhecimento e assunção faz perdurar – temos consciência disso – o debate sobre a especificidade e a razão de ser de um operador público. Mas, ao mesmo tempo, evacuar essa questão significa um risco e uma hipoteca sobre o futuro que não seria de bom senso correr. De facto, se por vicissitude do processo histórico e por opções políticas, se viesse porventura a decidir um dia extinguir o SPT, como alguns sectores defendem, poder-se-ia chegar a uma situação de facto em que apenas a lógica do mercado prevaleceria. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-top:6pt;text-align:justify;"><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin-top:6pt;text-align:justify;"><em><span style="font-family:'Adobe Caslon Pro';">Projecto Mediascópio – Estudo a Reconfiguração do Campo da Comunicação e dos Media em Portugal<br />
Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade<br />
Universidade do Minho</span></em></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/mediascopio2.wordpress.com/11/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/mediascopio2.wordpress.com/11/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mediascopio2.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mediascopio2.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mediascopio2.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mediascopio2.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mediascopio2.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mediascopio2.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mediascopio2.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mediascopio2.wordpress.com/11/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mediascopio2.wordpress.com/11/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mediascopio2.wordpress.com/11/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mediascopio2.wordpress.com&blog=764160&post=11&subd=mediascopio2&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Novo Estatuto do Jornalista: um consenso difícil</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jul 2007 14:17:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joaquim Fidalgo</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Por Joaquim Fidalgo (jfidalgo@ics.uminho.pt) 
Após alguns meses de debate público, o Governo acabou por aprovar, em 1 de Junho de 2006, o projecto de novo Estatuto do Jornalista (que, já em finais de Janeiro de 2007, viu iniciada a sua discussão na Assembleia da República).Apesar de a versão final ter incorporado algumas das sugestões entretanto feitas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong><span style="font-family:Arial;">Por Joaquim Fidalgo</span></strong><span style="font-family:Arial;"> (<a href="mailto:jfidalgo@ics.uminho.pt">jfidalgo@ics.uminho.pt</a>)</span><span><font face="Times New Roman"> </font></span></p>
<p><span></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">Após alguns meses de debate público, o Governo acabou por aprovar, em 1 de Junho de 2006, o projecto de novo <a href="http://www.ics.pt/Ficheiros/Legisl/Jornalismo/prop_lei_est_jornalista.pdf">Estatuto do Jornalista</a> (que, já em finais de Janeiro de 2007, viu iniciada a sua discussão na Assembleia da República).</span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">Apesar de a versão final ter incorporado algumas das sugestões entretanto feitas por diversas entidades – designadamente o <a href="http://www.jornalistas.online.pt/noticia.asp?id=4795&amp;idselect=539&amp;idCanal=539&amp;p=0">Sindicato dos Jornalistas</a> (SJ) –, este diploma legal continuou a suscitar controvérsias, polarizadas em cinco pontos sobremaneira polémicos:</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"><span>1)<span style="font:7pt 'Times New Roman';">      </span></span></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">as condições de <strong>acesso</strong> à profissão;</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"><span>2)<span style="font:7pt 'Times New Roman';">      </span></span></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">as questões ligadas aos <strong>direitos de autor</strong> do trabalho dos jornalistas;</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"><span>3)<span style="font:7pt 'Times New Roman';">      </span></span></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">as alterações ao regime do <strong>sigilo profissional</strong>;</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"><span>4)<span style="font:7pt 'Times New Roman';">      </span></span></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">a revisão dos <strong>deveres legais/deontológicos</strong> dos jornalistas;</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"><span>5)<span style="font:7pt 'Times New Roman';">      </span></span></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">a alteração das <strong>competências da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista</strong>, e em particular o seu alargamento à possibilidade de julgar e sancionar as falhas “disciplinares profissionais” dos jornalistas – ou seja, o seu incumprimento de deveres ético-deontológicos.</span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">No plano político, este novo enquadramento foi, como seria de esperar, defendido pelo Governo (em especial pelo ministro que tutela o sector, Augusto Santos Silva) e pela maioria que o apoia no Parlamento (com destaque para o deputado socialista Alberto Arons de Carvalho, desde há anos muito ligado às questões dos <em>media</em>) ou fora dele (como foi o caso do constitucionalista Vital Moreira). Outras formações partidárias optaram, entretanto, por apresentar as suas críticas e sugestões em forma de projectos alternativos submetidos ao Parlamento já nos inícios de 2007 – casos do <a href="http://www.jornalistas.online.pt/noticia.asp?idCanal=539&amp;id=5400">PCP</a><em> </em>e do <a href="http://www.jornalistas.online.pt/noticia.asp?id=5409&amp;idselect=376&amp;idCanal=376&amp;p=14">Bloco de Esquerda</a>. </span></p>
<p><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">No plano social e profissional, destacou-se a voz fortemente crítica do SJ (que considerou o diploma globalmente “muito negativo” e pediu aos deputados que o rejeitem<a name="_ftnref1" href="http://mediascopio2.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/blank.htm#_ftn1" title="_ftnref1"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">[1]</span></span></span></span></a>) e conheceu-se igualmente o parecer, desfavorável em alguns aspectos nucleares da nova lei, feito pelo <a href="http://www.jornalistas.online.pt/noticia.asp?id=4789&amp;idselect=539&amp;idCanal=539&amp;p=0">Conselho Regulador da Entidade Reguladora da Comunicação Social</a> (ERC).</span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"><span> </span></span></p>
<p><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"><span></span></span></p>
<p><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"><span></span></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">1) Sobre as <strong>novas condições de acesso à profissão</strong>, o Governo entendeu consagrar a exigência de uma genérica “habilitação académica de nível superior”, algo cuja “rigidez” o SJ rejeita (insistindo na importância da manutenção de uma lógica de “profissão aberta”) e que também a ERC entende dever contemplar situações de excepção – sem prejuízo do seu apoio à ideia de elevar o nível de qualificações destes profissionais –, sobretudo tendo em atenção a especificidade portuguesa, com a sua “tardia democratização do ensino superior”.</span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">2) As questões em torno dos <strong>direitos de autor</strong> do trabalho dos jornalistas – e, muito especificamente, da possibilidade da sua utilização, por parte das entidades patronais, noutros órgãos de comunicação ou suportes diferentes daqueles para que foram originalmente elaborados – suscitaram as mais vivas reacções sindicais, com o SJ a afirmar que o Governo cedeu “em toda a linha aos interesses ilegítimos das empresas e dos grupos de <em>media</em>”, dando “cobertura plena às posições do patronato de transformar os jornalistas em meros produtores de conteúdos numa linha de montagem”. Em sentido contrário se pronunciou o deputado do PS <a href="http://www.jornalistas.online.pt/noticia.asp?id=5089&amp;idselect=539&amp;idCanal=539&amp;p=0">Arons de Carvalho</a>, para quem, pelo contrário, o novo diploma significa um “claríssimo aprofundamento dos direitos dos jornalistas” nesta matéria, designadamente “garantindo-lhes o direito a uma remuneração autónoma pela reutilização das suas obras protegidas” e precavendo-os contra alterações não desejadas nos seus trabalhos.</span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">Como pano de fundo destas polémicas está o movimento de crescente ‘convergência’ de redacções e de órgãos de comunicação pertencentes a um mesmo grupo empresarial, que procura maximizar a rentabilização das matérias jornalísticas produzidas mediante a sua utilização em diferentes suportes (designadamente os do universo <em>on-line</em>).</span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"> </span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"><span> </span></span></p>
<p><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"><span></span>3) A maior especificação das situações em que o jornalista poderá ser excepcionalmente compelido pelo tribunal a quebrar o seu <strong>sigilo profissional</strong>, desrespeitando o dever de confidencialidade para com as fontes de informação, foi apontada pelo Governo como “ [reduzindo] para justos limites a margem de apreciação subjectiva do juiz na sua determinação”. Neste domínio, a ERC manifestou genericamente a sua concordância com a proposta governamental. Inversamente, o SJ entendeu que o diploma “abre caminho a perigosas ambiguidades de conceitos” (por exemplo o de “crimes graves contra as pessoas”) e “introduz uma elevada arbitrariedade na decisão de quebra deste dever fundamental dos jornalistas, em contradição insanável com os objectivos da sua protecção constitucional”. Na opinião do Sindicato, a quebra do sigilo deveria circunscrever-se aos casos de “crimes contra a vida ou ofensa grave à integridade física” e, em qualquer caso, só depois de comprovado que estariam esgotadas todas as outras vias para obter provas relativas aos ditos crimes.</span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">4) Quanto à a <strong>revisão dos deveres legais/deontológicos dos jornalistas, </strong>o parecer da ERC colocou duas reservas importantes ao novo diploma: por um lado, criticou o facto de ele “amalgamar os universos do Direito e da Ética”, ao “atribuir a natureza de verdadeiras normas jurídicas a comandos de dimensão deontológica” (que, em seu entender, não deviam ser incorporados na lei mas, pelo contrário, remeter-se para “os domínios da auto e da co-regulação”); por outro lado, discordou do facto de ele fazer assentar as exigências de rigor informativo apenas na responsabilização dos jornalistas, “alheando-se do contributo exigível à ética empresarial” neste domínio. Criticando a “juridificação das normas deontológicas”, a ERC preferiria que em sede de lei fossem enunciados apenas “os deveres valorados pelo direito positivo”, remetendo os da ética e deontologia profissionais para a “dimensão meta-jurídica da actividade jornalística” e, assim, estimulando a emergência e fortalecimento de mecanismos auto e co-reguladores. Neste domínio específico dos deveres dos jornalistas, o parecer do SJ não levantou objecções de monta à proposta governamental, preferindo aparentemente guardá-las para o art. 21º do novo Estatuto – o que comete à Comissão da Carteira Profissional a competência para controlar a observância desses deveres e sancionar (até materialmente) o seu incumprimento.</span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">5) Este ponto – o das <strong>novas competências da Comissão da Carteira em matéria “disciplinar profissional” </strong>– suscitou críticas tanto da ERC (em consonância natural com o que ficou dito no ponto anterior), como do SJ e dos jornalistas em geral. A objecção de fundo tem a ver, no plano conceptual, com a alegada transformação de deveres deontológicos em deveres legais juridicamente tutelados (como disse a ERC) e, no plano procedimental, com a atribuição a uma entidade administrativa independente da competência para apreciar e punir as infracções deontológicas ou “disciplinares” (algo que, supostamente, devia ser da responsabilidade das estruturas representativas do grupo profissional ou, na vertente disciplinar, das hierarquias laborais de quem dependem os trabalhadores). </span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">A opção do Governo é justificada, como se diz no preâmbulo do diploma, pela necessidade de “suprir uma lacuna existente no ordenamento jurídico português”, que tem a ver com a responsabilização pelo incumprimento dos “deveres legais e deontológicos dos jornalistas”, actualmente a cargo de uma estrutura integrada no Sindicato – e que, portanto, não tem poderes sobre os não-sindicalizados. Sugere ainda que a nova composição da Comissão da Carteira – totalmente composta por “jornalistas experientes, designados em igual número pelas estruturas profissionais e patronais, e presidida por um jurista” por eles cooptado<a name="_ftnref2" href="http://mediascopio2.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/blank.htm#_ftn2" title="_ftnref2"><span class="MsoFootnoteReference"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">[2]</span></span></span></span></a> – se aproximaria, embora imposta por lei, de um modelo auto-regulador. Em abono da tese governamental pronunciou-se, aliás, o constitucionalista Vital Moreira, para quem a “nova” Comissão da Carteira, embora sendo um organismo público, “dotado de personalidade jurídica” (Moreira, 1997: 296), pode ser entendida como uma solução de “auto-regulação interprofissional” (Moreira, 2003) – uma das diversas possibilidades de figurinos auto-reguladores.</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">Contrariamente a este entendimento, a ERC insistiu que se está apenas “a reconduzir ao terreno do ilícito de mera ordenação social, sob diferente roupagem terminológica, a punição das ofensas à deontologia jornalística, entretanto convertida em lei da República” – punição que, insiste, devia competir ao grupo profissional –, acrescentando ainda que a tutela destas matérias configura até um conflito de competências com a própria Entidade Reguladora, ela também obrigada a velar pelo bom cumprimento do rigor informativo dos órgãos de comunicação social.</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">O SJ, por sua vez, sublinhou que esta proposta significava a “consagração histórica de um regime disciplinar para os jornalistas”, com a agravante de “não se [fazer] acompanhar de medidas de efectiva garantia de autonomia editorial destes profissionais” – que exercem a sua actividade enquanto trabalhadores assalariados e subordinados, numa estrutura empresarial. E relevou ainda os factos de a nova lei introduzir “o princípio de publicidade da sanção” (algo que “não encontra paralelo noutras profissões com idêntica importância pública”) e de “expandir o escrutínio público dos actos dos jornalistas” (algo que “na verdade já existe” e que “igualmente não tem paralelo noutras profissões”). </span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">Ainda assim, do parecer do SJ não sobressai a recusa liminar deste novo figurino de Comissão da Carteira e respectivas atribuições em matéria deontológica (aqui e ali transformada em matéria legal), mas, pelo contrário, a proposta de pequenas alterações pontuais que possam ajudar a melhorar o modelo, associadas ainda à vontade de que o Conselho Deontológico do sindicato mantenha algum papel no processo, designadamente enquanto “perito colectivo” nestes assuntos. Esta posição mais moderada poderá ter a ver com a admissão implícita, por parte do SJ, de que o desafio da auto-regulação em sede de deontologia não está, de facto, bem resolvido pelo grupo profissional dos jornalistas portugueses – e essa insuficiência acabou por dar ao Governo a oportunidade e os argumentos para legislar em tal domínio. Não obstante, é o próprio ministro que tutela o sector, Augusto Santos Silva, quem preconiza a importância de as instâncias de regulação pública interagirem com instâncias de auto-regulação, admitindo mesmo que “se a única regulação existente [nos <em>media</em>] fosse imposta pelo Estado, a regulação ficaria amputada e diminuída” (Santos Silva, 2006: 16).</span></p>
<p><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;">Faça-se uma última nota quanto ao enquadramento legal global da profissão de jornalista: também em relação ao muito discutido “<strong>segredo de justiça</strong>” houve evoluções em 2006, com os trabalhos (ainda em curso) de <a href="http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Governos/Governos_Constitucionais/GC15/Ministerios/MJ/Comunicacao/Outros_Documentos/20040625_MJ_Doc_Revisao_CPenal.htm">revisão do Código Penal</a>. A proposta em debate deixa de acusar os jornalistas pelo facto de divulgarem factos em segredo de justiça (este “crime de dever” passa a abranger apenas as partes que têm acesso directo aos processos judiciais – advogados, magistrados, polícias, funcionários judiciais) mas, em contrapartida, passa a poder acusá-los pelo “crime de perigo”, ou seja, por divulgarem “factos susceptíveis de pôr em perigo a investigação ou a descoberta da verdade”. E, aqui, são tão latas e subjectivas as possibilidades de interpretação do preceito que há quem receie que, na prática, as coisas fiquem iguais ou piores, no que toca a mecanismos inibidores do trabalho dos jornalistas, mesmo quando prosseguido genuinamente em nome do interesse público.</span><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"> </span></p>
<p><span style="font-size:11pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><strong><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;">Referências bibliográficas</span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;"> </span></strong><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;">CARVALHO, A. Arons (2006, Setembro), “Os direitos dos jornalistas no novo Estatuto”, <em>PÚBLICO, </em>30 de Setembro.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;">ERC - Entidade Reguladora para a Comunicação Social (2006), <em>“Parecer Relativo ao Anteprojecto da Proposta de Lei que Altera o Estatuto do Jornalista”</em> – Parecer 2/2006, 23 de Março.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;">MAIA, Alfredo (2006, Outubro). “Estatuto do Jornalista e desafios aos deputados”, <em>PÚBLICO,</em> 12 de Outubro.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;">MOREIRA, Vital (2004, Janeiro). “Liberdade de informação e segredo de justiça”, <em>Público,</em> 20 de Janeiro.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;">MOREIRA, Vital (1997). <em>Auto-regulação profissional e administração pública. </em>Coimbra: Almedina.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;">SANTOS SILVA, Augusto (2006). “A hetero-regulação dos meios de comunicação social”, <em>Comunicação e Sociedade</em>, nº 10 [No prelo]</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;">SJ – Sindicato dos Jornalistas (2006). <em>“Posição do Sindicato dos Jornalistas sobre Proposta de Lei nº 76/X/1, que altera o Estatuto do Jornalista” </em>– Parecer 3 de Julho. </span><strong><span style="font-size:14pt;font-family:Arial;"> </span></strong><strong><span style="font-size:14pt;font-family:Arial;"> </span></strong></p>
<p><strong><span style="font-size:14pt;font-family:Arial;"></span></strong><strong><em><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;">Braga, Maio de 2007</span></em></strong><strong><em><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;"> </span></em></strong><strong><em><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;"> </span></em></strong></p>
<p><strong><em><span style="font-size:11pt;font-family:Arial;"></span></em></strong><em><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;">* * * * * * * * * *</span></em><em><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;"> </span></em></p>
<p><em><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span></em><em><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;">NOTA: Este texto é parte de um trabalho colectivo mais vasto, intitulado “Anuário 2006 – A comunicação e os ‘media’ em análise”, que deverá brevemente ser publicado. Oriundo do projecto Mediascópio (ligado ao centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho), é um trabalho constituído por uma cronologia dos ‘media’ relativa ao ano de 2006 e por cerca de duas dezenas de pequenas análises / comentários sobre as questões que mais se evidenciaram ao longo do ano transacto.</span></em><em><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;"> </span></em></p>
<p><em><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;"></span></em><em><span style="font-size:10pt;line-height:150%;font-family:Arial;">* * * * * * * * * *</span></em></p>
<hr SIZE="1" width="33%" align="left" /><a name="_ftn1" href="http://mediascopio2.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/blank.htm#_ftnref1" title="_ftn1"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:9pt;font-family:Arial;"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:9pt;font-family:Arial;">[1]</span></span></span></span></span></a><span style="font-size:9pt;font-family:Arial;"> O Sindicato promoveu ainda um <a href="http://www.jornalistas.online.pt/noticia1.asp?id=4961&amp;idCanal=539&amp;currPos=0">abaixo-assinado</a> de repúdio ao novo projecto, tendo recolhido cerca de 2.500 assinaturas entre jornalistas e personalidades ligadas à vida cultural. </span></p>
<p style="text-indent:-8.5pt;text-align:justify;margin:0 0 0 8.5pt;" class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn2" href="http://mediascopio2.wordpress.com/wp-includes/js/tinymce/blank.htm#_ftnref2" title="_ftn2"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:9pt;font-family:Arial;"><span><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:9pt;font-family:Arial;">[2]</span></span></span></span></span></a><span style="font-size:9pt;font-family:Arial;"> A obrigatoriedade de que também sejam jornalistas os quatro representantes indicados pelas organizações patronais para a CCPJ não constava da primeira proposta do Governo, tendo entretanto sido acolhida na sua formulação final.</span></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/mediascopio2.wordpress.com/10/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/mediascopio2.wordpress.com/10/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mediascopio2.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mediascopio2.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mediascopio2.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mediascopio2.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mediascopio2.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mediascopio2.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mediascopio2.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mediascopio2.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mediascopio2.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mediascopio2.wordpress.com/10/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mediascopio2.wordpress.com&blog=764160&post=10&subd=mediascopio2&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Manifesto pela auto-regulação</title>
		<link>http://mediascopio2.wordpress.com/2007/06/29/manifesto-pela-auto-regulacao/</link>
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		<pubDate>Fri, 29 Jun 2007 07:44:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manuel Pinto</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

		<category><![CDATA[Regulação]]></category>

		<category><![CDATA[Ética]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Alerta ao País

O grupo de jornalistas abaixo assinados, constatando que se encontra em marcha o mais violento ataque à liberdade de Imprensa em 33 anos de democracia, decidiu juntar a sua voz à de todos os cidadãos e entidades que se têm pronunciado sobre a matéria e manifestam publicamente o seu repúdio por todo o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>&#8220;Alerta ao País</strong><br />
<BR><br />
O grupo de jornalistas abaixo assinados, constatando que se encontra em marcha o mais violento ataque à liberdade de Imprensa em 33 anos de democracia, decidiu juntar a sua voz à de todos os cidadãos e entidades que se têm pronunciado sobre a matéria e manifestam publicamente o seu repúdio por todo o edifício jurídico aprovado pela Assembleia da República, ou à espera de aprovação, referente à sua actividade profissional, que consideram limitativo do direito Constitucional de informar e ser informado.<BR><br />
Em causa estão, designadamente, os poderes e a prática da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, as novas leis da Rádio e Televisão, o recentemente aprovado Estatuto do Jornalista e o anteprojecto de lei contra a concentração da titularidade, ainda em fase de discussão pública e ironicamente apresentado pelo legislador como de promoção do pluralismo e da transparência e “independência perante o poder político e económico”. Acresce ainda o futuro Código Penal - negociado entre PS e PSD no Pacto da Justiça – na parte que se refere à Violação do Segredo de Justiça.<BR><br />
Do conjunto destaca-se, no imediato, o novo Estatuto do Jornalista, recentemente aprovado no Parlamento e prestes a ser sujeito ao escrutínio do Presidente da República.<BR><br />
Tal diploma, ao arrepio da tradição democrática portuguesa, do espírito e letra da Constituição e das regras internacionalmente adoptadas em sociedades livres e democráticas, obrigará os jornalistas a violar o segredo profissional em nome de conceitos passíveis de todas as arbitrariedades; concederá a um órgão administrativo (na prática não independente) o papel de árbitro em litígios entre os jornalistas e as suas entidades empregadoras em matérias de foro ético e deontológico; insistirá em manter na alçada desse órgão administrativo o controlo deontológico da actividade jornalística, reforçando-lhe, além do mais, e, de forma abusiva, os poderes sancionatórios.<BR><br />
Assim, <BR>por considerarem que, neste momento, em Portugal, está verdadeiramente em causa a Liberdade de Imprensa, um direito fundamental constitucionalmente garantido;<BR><br />
por considerarem que o exercício da sua profissão passará (no caso de promulgação do diploma do Estatuto do Jornalista), a ser desenvolvido com limitações intoleráveis;<BR><br />
por considerarem que uma informação livre, sem qualquer temor pelos poderes, quaisquer que eles sejam, é um garante decisivo da Democracia;<BR><br />
por considerarem que, tal como sucede em Portugal em outras áreas de actividade, deverão ser os jornalistas a autoregular-se em matérias de Ética e Deontologia e no controlo do acesso e do exercício da profissão;<BR><br />
os jornalistas profissionais abaixo assinados manifestam publicamente a sua total disponibilidade para assumir essa autoregulação e esse controlo, desenvolvendo para tal, desde já, todos os esforços necessários nesse sentido, em articulação com todos os profissionais e com as instâncias também empenhadas em garantir o direito fundamental<br />
de informar com liberdade.<BR><br />
Lisboa, 27 de Junho de 2007<BR><br />
Ana Sá Lopes<br />
António Ribeiro Ferreira<br />
Carlos Albino<br />
Carlos Rodrigues<br />
Castro Moura<br />
Fernando Madaíl<br />
Graça Franco<br />
João Fragoso Mendes<br />
João Pedro Henriques<br />
José Alberto Machado<br />
José António Santos<br />
José Carlos Carvalho<br />
Luciano Alvarez<br />
Mário Bettencourt Resendes<br />
Octávio Ribeiro<br />
Paulo Baldaia<br />
Pedro Camacho&#8221;.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/mediascopio2.wordpress.com/9/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/mediascopio2.wordpress.com/9/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/mediascopio2.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/mediascopio2.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/mediascopio2.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/mediascopio2.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/mediascopio2.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/mediascopio2.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/mediascopio2.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/mediascopio2.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/mediascopio2.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/mediascopio2.wordpress.com/9/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=mediascopio2.wordpress.com&blog=764160&post=9&subd=mediascopio2&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">mjspinto</media:title>
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		<item>
		<title>Sobre a avaliação por parte da ERC do pluralismo político-partidário na RTP - Um esclarecimento de Estrela Serrano</title>
		<link>http://mediascopio2.wordpress.com/2007/05/11/sobre-a-avaliacao-por-parte-da-erc-do-pluralismo-politico-partidario-na-rtp-um-esclarecimento-de-estrela-serrano/</link>
		<comments>http://mediascopio2.wordpress.com/2007/05/11/sobre-a-avaliacao-por-parte-da-erc-do-pluralismo-politico-partidario-na-rtp-um-esclarecimento-de-estrela-serrano/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 11 May 2007 16:51:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manuel Pinto</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

		<category><![CDATA[Regulação]]></category>

		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[A ERC está a fazer desde Setembro de 2006 a monitorização, por amostragem, dos blocos informativos das 20h00 dos três canais generalistas de televisão. Foi criada para isso uma base de dados com mais de uma centena de indicadores que, nos termos dos Estatutos da ERC, somos obrigados a manter actualizada. Baseamo-nos nos conceitos constantes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A ERC está a fazer desde Setembro de 2006 a monitorização, por amostragem, dos blocos informativos das 20h00 dos três canais generalistas de televisão. Foi criada para isso uma base de dados com mais de uma centena de indicadores que, nos termos dos Estatutos da ERC, somos obrigados a manter actualizada. Baseamo-nos nos conceitos constantes da legislação aplicável aos órgãos de comunicação social, tais como rigor, pluralismo (em sentido lato e não exclusivamente político-partidário) , diversidade, entre outros. Dado o carácter indeterminado desses conceitos são os mesmos definidos para poderem ser operacionalizados  e convertidos em categorias (como se faz na análise de conteúdo). Os dados relativos a este tipo de monitorização são publicados no relatório anual da ERC (sempre nos termos dos nossos estatutos), o primeiro dos quais sairá em breve. Este tipo de monitorização, por amostragem, abrange, por enquanto, apenas os blocos informativos das 20h00 dos três canais de sinal aberto e também a imprensa generalista de expansão nacional (esta com uma base de dados mais reduzida) e os dois jornais com capitais públicos – Jornal da Madeira e Diário do Alentejo.</p>
<p>À parte esta monitorização, a Constituição da República e o contrato de concessão do serviço público obrigam a ERC a olhar com mais atenção e profundidade para a RTP, nomeadamente em termos de cumprimento do pluralismo político-partidário.  Assim, foram estudados os modelos aplicados por órgãos reguladores europeus, tendo a ERC adoptado, em diálogo com a RTP e com os protagonistas do campo político-partidário, um modelo de avaliação da presença desses protagonistas nos espaços informativos do serviço público (e só nesse), que respondesse às queixas e acusações dos partidos contra a RTP por alegada discriminação de uns e favorecimento de outros. Trata-se, pois, de obter, em períodos sucessivos, que convencionámos entre três a seis meses, um “retrato” rigoroso da cobertura desses protagonistas em termos quantitativos (número de peças) e qualitativos (natureza, formato, valência, equilíbrio em matéria de fontes, actores, audiência).</p>
<p>O operador de serviço público mantém a sua liberdade editorial, uma vez que a avaliação se faz à posteriori e num tempo alargado. Isso contempla, naturalmente, o facto de a actualidade poder determinar que uma força política/partidária possa, em determinados momentos, obter uma cobertura de maior expressão.</p>
<p>Semestralmente, a ERC publicará os resultados dessa avaliação indicando, por um lado, os valores percentuais obtidos por cada força política e pelo Governo e, por outro, a análise qualitativa desses dados. Significa isso que os dados quantitativos são sempre relacionados com os qualitativos.</p>
<p>Esta metodologia foi, como é óbvio, analisada e discutida com os responsáveis editoriais da RTP, em reuniões de trabalho extremamente úteis e produtivas. Só depois disso, verificada a sua viabilidade, se passou á sua apresentação, primeiro aos partidos parlamentares e depois ao Governo. A ERC cumpriu, pois, todas as etapas necessárias e indispensáveis. Falta agora iniciar o processo.</p>
<p>É completamente abusivo e pouco rigoroso afirmar, como se lê hoje em alguma imprensa que o Governo e o PS vão ter 5º% do tempo de informação da RTP e a Oposição parlamentar 48% e extra-parlamentar 2%. De facto, a “pequena” nuance é que esta avaliação incide apenas sobre as peças em que os partidos e o Governo surjam como protagonistas. E não sobre toda a informação emitida pela RTP.</p>
<p>Compreendem-se as reacções vindas a público uma vez que é a primeira vez que em Portugal se utilizam critérios e metodologias testadas no campo universitário das ciências da comunicação e da sociologia da comunicação que enriquecem uma regulação até agora apenas baseada na interpretação casuística dos preceitos legais ou no subjectivismo do regulador. As críticas são sempre muito úteis e este texto não pretende mais que contribuir para que a discussão seja informada e não baseada em notícias pouco rigorosas.</p>
<p>Estou disponível, como responsável por esta área de intervenção da ERC, para outras explicações que sejam necessárias, para mais num espaço de tanta credibilidade como é este blog.</p>
<p style="font-style:italic;">Estrela Serrano<BR>Conselho Regulador da ERC</p>
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		<title>ECT - Comentário</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Feb 2007 10:06:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Santos</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

		<category><![CDATA[Televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Tentarei ser o mais sucinto possível na  apreciação do Parecer 1/P/2007 do Conselho Deontológico (CD) do SJ sobre o meu  artigo de 20 de Agosto no Público.
O Parecer tem aspectos positivos e negativos.
Pontos positivos:
1. O CD, ao contrário da ERC,  respeita a liberdade de informação e de opinião.
2. O CD, ao contrário [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Tentarei ser o mais sucinto possível na  apreciação do Parecer 1/P/2007 do Conselho Deontológico (CD) do SJ sobre o meu  artigo de 20 de Agosto no Público.</p>
<p>O Parecer tem aspectos positivos e negativos.</p>
<p>Pontos positivos:</p>
<p><strong>1.</strong> O CD, ao contrário da ERC,  respeita a liberdade de informação e de opinião.</p>
<p><strong>2.</strong> O CD, ao contrário da ERC,  não se pronuncia sobre a exactidão ou veracidade da minha frase «as  informações de que disponho indicam que o gabinete do primeiro-ministro deu  instruções directas à RTP para se fazer censura à cobertura dos incêndios: são  ordens directas do gabinete de Sócrates.»</p>
<p><strong>3.</strong> O CD respeita o meu  direito/dever de não identificar as fontes.</p>
<p><strong>4.</strong> O CD, ao contrário da ERC,  não tece comentários sobre o Público nem o seu director.</p>
<p>Todavia, encontro aspectos contraditórios e  negativos no Parecer do CD:</p>
<p><strong>1.</strong> O CD recebeu uma queixa  sobre um artigo e, tal como a ERC, fundamentou-se em factos e declarações  posteriores, o que não poderia nem eticamente deveria ter feito: porque a  queixa respeitava apenas a dois aspectos derivados de um artigo; porque o CD não  é tribunal; porque não estando em confronto, não podiam as partes responder à sucessiva consideração pelo CD de novos factos, «factos» e  argumentos que desconheciam estarem a ser considerados pelo CD.</p>
<p><strong>2.</strong> O CD deveria ter-se atido exclusivamente ao meu  artigo de 20 de Agosto e à queixa que foi apresentada por um elemento da DI da  RTP, tanto mais que a queixa apenas se referia ao artigo.</p>
<p><strong>3.</strong> Um exemplo para ilustrar os  pontos 1 e 2: o CD, embora duvide, o que lhe é legítimo, do que escrevi e  afirmei, toma como verdadeira uma informação prestada pela RTP vários meses  depois do meu artigo sobre uma suposta «avaria» num carro de exteriores. Não deveria ter aceite este «argumento», mas, aceitando-o, teria de duvidar dele,  o que não faz. Ou deveria, no mínimo, ter-me perguntado o que eu achava de tal «facto».</p>
<p><strong>4.</strong> O CD erra na  questão do contraditório. Eu obtive  o documento das Guidelines da DI da RTP para cobertura de incêndios – e fui o primeiro jornalista e/ou crítico a  divulgá-lo em parte. Isto é, procurei fazer o contraditório. Se o Telejornal  de 12 de Agosto se ajustasse às Guidelines, poderia ter acontecido que o meu  artigo tivesse sido diferente. Mas o TJ desse dia contradizia em absoluto três  normas fundamentais das guidelines, como referi no meu artigo. Além disso, faço notar que, no passado, o CD aceitou que citar textos dos visados era suficiente como contraditório, o que não acontece neste caso.</p>
<p><strong>5.</strong>  O CD é inconsistente quando aceita que «existem casos em que a audição da outra parte  pode ser não exigível, por ser completamente inútil ou até impeditiva do apuramento da informação», citando o caso Watergate,  mas, por artes mágicas, não aceita que  neste caso poderia ser no mínimo completamente inútil conhecer as mais do que  esperadas reacções da DI da RTP e do governo às informações que recolhi. Não compreendo como no caso Watergate fosse aceitável não ouvir a presidência do  mais poderoso país do mundo e em Portugal fosse obrigatório ouvir a DI de um  canal do Estado e o governo desse mesmo Estado! O CD, de resto, não fundamenta esta  sua tão absurda argumentação.</p>
<p><strong>6.</strong> Apesar de ter aceite ponderar questões, factos e «factos» posteriores ao meu artigo, o CD não dá conta de  todo o contraditório que se seguiu ao artigo. O contraditório faz-se no tempo; no caso em apreço,  não só incluí na minha coluna o desmentido do chefe de gabinete do chefe do  governo (o que o CD refere), como o Público incluiu textos e declarações de desmentido de assessores governamentais e do próprio DI da RTP,  a que o CD não se refere como contraditório.</p>
<p><strong>7.</strong> Em consequência, o único  ponto em que o CD me «condena» - mitigadamente, pois aceita que o contraditório  (de ouvir a DI da RTP e o governo, suponho) «não seja um dever absoluto»  - resulta de argumentação incoerente, não está  conforme ao conteúdo do meu artigo e, como indico adiante, não está  conforme à realidade actual de colunas de opinião em Portugal e em grandes  jornais do mundo.</p>
<p><strong>8.</strong> O CD afirma que «misturei»  factos e opiniões e que «deveria distingui-los, claramente, aos olhos do  público.» Ora, o CD omite da minha frase acima citada a primeira parte da  frase:  «as informações de que  disponho indicam que». Tal omissão é mais uma grave falha deontológica do CD,  que lhe permite retirar a ilação da «mistura», na senda do que fez a ERC.  Volto a dizer: nenhum leitor do Público, nenhum membro da ERC, nenhum  comentador que escreveu sobre o meu artigo e agora nenhum membro do CD ficou  confundido com aquela frase porque ela é absolutamente clara na indicação de  que houve recolha de informações, não se tratando ali, portanto, de uma  opinião, mas de um facto. Volto a referir: a quase totalidade dos bons  artigos de opinião referem-se a factos; e em artigos de opinião de colunistas  eméritos de grandes jornais do mundo são apresentados factos  ou declarações de tipo jornalístico  recolhidas pelos colunistas (desconhecendo eu se são jornalistas). Acho  inacreditável e absurdo este argumento da «mistura» de factos e opiniões, que,  tendo nascido na DI da RTP, apenas tem servido para me «condenar» (vide o  documento da ERC): como deve fazer um crítico de música quando escreve  sobre um concerto, omite a informação sobre o que foi tocado? Omite informação  que obteve acerca de músicos e maestro? Omite o que soube que eventualmente  sucedeu nos bastidores? Ou esta questão só se coloca quando há melindre  político e melindre corporativo?</p>
<p><strong>9.</strong> Há entre nós falta de  atenção ao que deve ser uma boa coluna de opinião e crítica. Muitas colunas de  opinião em Portugal são escritas por pessoas muito ocupadas com os seus  afazeres políticos e/ou profissionais, pelo que são amiúde uma mera sucessão  de «eu acho que». Não me incluo nesse tipo de trabalho. Desde o início da  minha coluna que junto informação recolhida às minhas opiniões. Para quê? Para  benefício dos leitores, nunca para a sua «confusão». Julgo que se a minha  coluna tem algum mérito reconhecido se deve precisamente, em boa parte, a este  esforço de opinião baseada em informação desconhecida dos leitores, seja ela  recolhida na literatura seja junto das mais diversas fontes com quem mantenho contactos para benefício dos meus leitores.</p>
<p><strong>10. </strong> Finalmente, é inaceitável o último ponto do Parecer, em que o CD lamenta que eu «não tenha usado de  lealdade para com os [meus] colegas de profissão.» Em primeiro lugar, não  aceito dos membros do CD quaisquer lições sobre o que é e como se pratica  a lealdade. Em segundo lugar, o conceito não se poderia aplicar aos assessores  do governo e a membros do governo implicados no meu artigo. Em terceiro lugar,  a lealdade a que o CD se refere não é verdadeira lealdade, antes é uma prática  condenável do pior corporativismo. O conceito de lealdade expresso pelo CD é  para mim extremamente grave e, pelo menos em teoria, justifica muitos dos  problemas do jornalismo português. Eu jamais  deixaria de dar uma informação verdadeira daquele teor para proteger  corporativamente colegas de profissão só porque são colegas de  profissão. A minha lealdade, verdadeira lealdade, é para com a verdade,  para com os leitores do Público, para com os portugueses que, por causa  do meu artigo, beneficiaram duma alteração editorial posterior da RTP face aos  incêndios, e ainda para com o jornal onde escrevo – mas não por  corporativismo, antes pela relação institucional e pelo reconhecimento que  tenho pelo contributo do Público para a liberdade de informação e de  opinião.</p>
<p>Eduardo Cintra Torres<br />
2007-02-07</p>
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